
Fique de olho: mamadeiras e embalagens de plástico podem ser um perigo para seu bebê!
03.08.2009
Nos Estados Unidos e no Canadá, existe atualmente uma grande luta da sociedade civil contra as embalagens de plástico, particularmente devido a duas toxinas potencialmente cancerígenas presentes nessas substâncias: a dioxina (cuja toxidade no plástico ainda é contestada) e o Bisphenol-A, mais conhecido pela sigla BPA.
No Canadá, esta luta resultou, em outubro de 2008, na proibição do uso de BPA na fabricação de mamadeiras. Nas prateleiras dos supermercados e farmácias, pode-se ver esta frase, em inglês e francês, nas embalagens das mamadeiras: "without/sans BPA" ("sem BPA").Em abril deste ano, o estado americano de Minnesota, pressionado por evidências científicas e pelos consumidores, tornou-se o primeiro dos EUA a banir legalmente o BPA das mamadeiras e acondicionantes de bebidas e alimentos infantis.
Conforme denunciado pela Associação Brasileira do Ministério Público de Meio Ambiente – Abrampa – , em seu Congresso Nacional de 2009, o BPA é um perigoso xenoestrógeno que vem sendo usado no plástico das mamadeiras, para torná-lo duro, transparente e resistente, e no revestimento epóxi de acondicionantes de comidas e bebidas.
Pesquisas científicas vêm demonstrando que partículas microscópicas de BPA podem se desprender do plástico ou da resina epóxi e se misturar com a comida ou bebida. O processo se intensifica de forma espantosa na presença de calor ou pressão, ou ainda, se o conteúdo for ácido. No início deste ano, os seis maiores fabricantes de mamadeira firmaram acordo com autoridades americanas para não mais vender mamadeiras com BPA; mas, segundo denúncia do Washington Post em 6 de março de 2009, a Avent, o maior deles, está exportando seus estoques para países de outros continentes.
O Senador Fran Pavley, da Califórnia, mostrou que há suficientes provas científicas de que até mesmo as exposições a níveis extremamente baixos de BPA podem causar sérios impactos à saúde. São mais de 200 estudos revelando que a contaminação por BPA, particularmente durante a gravidez e a pequena infância, está associada a um largo leque de efeitos adversos - no curto, no médio e no longo prazo. Entre eles, câncer de mama, próstata e testículo, feminização de fetos machos, infertilidade, puberdade precoce em meninas e outros problemas metabólicos e neurológicos crônicos.
Segundo os CDCs (Centros para o Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), 93% dos americanos adultos têm BPA detectável na urina e essa quantidade é várias vezes maior em bebês e crianças pequenas devido a seu pouco peso.
RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS
Como reconhecer que uma mamadeira contém BPA?
As mamadeiras no Brasil geralmente são de plástico e contêm BPA. Elas são reconhecíveis pelo fato de serem de plástico rígido, transparente e resistente. Normalmente trazem gravado (quase sempre no fundo) o código PC 7, mas às vezes só o 7, que é um símbolo comum a outros tipos de plástico.
O que fazer para reduzir a contaminação por BPA?
Mulheres grávidas e crianças pequenas:
- evitar beber água de garrafões de plástico (que contêm BPA) bem como comer enlatados (devido ao BPA contido nos revestimentos de resina epóxi);
- dar preferência ao leite materno; quando usar leite em pó, dar preferência aos que são vendidos em embalagens de papelão;
- usar mamadeira de vidro, e, se não for possível, usar mamadeira de plástico sem BPA (informar-se junto ao fabricante e autoridades sanitárias);
- nunca esquentar mamadeiras de plástico contendo comida ou bebida nem colocar comida ou bebida ácida ou aquecida dentro delas;
- nunca esquentar comida ou bebida em recipiente de plástico ou com revestimento contendo BPA (resina epóxi); nunca colocar comida ou bebida aquecidos nesses recipientes; evitar lavar mamadeiras e outros recipientes contendo BPA em lava-louças com altas temperaturas.
*Maristela Simonin com informações de Breast Cancer Fund e Washington Post Journal.